
O que é a Depressão Pós-Parto?
Emoções fortes após o parto, o chamado “baby blues”, são normais. As mulheres, recentemente mães, que estão a recuperar do parto, sentem-se mais carenciadas em termos de sono e estão a adaptar-se às responsabilidades inerentes à maternidade. Todavia, a depressão pós-parto é mais duradoura e mais grave. O que pode ser sobretudo assustador para as mulheres que sofrem de depressão pós-parto são os sentimentos de querer evitar a presença do bebé ou até de querer prejudicá-lo. A depressão pós-parto não ocorre necessariamente imediatamente após o parto. Pode ocorrer até um ano após o nascimento da criança.
Uma depressão é mais do que estar “em baixo” ou triste durante alguns dias. É uma séria doença que envolve o cérebro. Numa depressão, a tristeza, a ansiedade ou o vazio de sentimentos não desaparecem e interferem na rotina do dia-a-dia. Estes sintomas podem ir de ligeiros a graves. A boa notícia é que a maioria das pessoas com depressão melhoram com tratamento.
Quão comum é a depressão durante e pós gravidez?
A depressão é um problema comum, durante e depois da gravidez. Cerca de 13% de mulheres grávidas e mães recentes têm depressão.
Como é possível diagnosticar uma depressão pós-parto?
Se estiver grávida, ou tiver dado à luz recentemente, pode estar deprimida sem o saber. Algumas mudanças naturais durante e depois da gravidez podem causar sintomas similares aos da depressão. Se tiver algum dos seguintes sintomas por mais de duas semanas, consulte um médico:
- Cansaço;
- Mau-humor;
- Tristeza;
- Desespero;
- Impotência;
- choro frequente;
- falta de energia e motivação;
- distúrbios na alimentação;
- distúrbios no sono;
- dificuldade de concentração e de memória;
- sentimentos de culpa;
- perda de interesse em actividades;
- dores de cabeça, ou problemas de estômago.
- O seu médico poderá dizer-lhe se os sintomas são de uma depressão ou não.
O que causa a depressão? O que é a depressão pós-parto?
Não existe uma única causa para a depressão. A depressão resulta da combinação de diversos factores e é uma doença que tende a expandir-se nas famílias. Mulheres, com historial familiar de depressão, tendem a ter depressões.
As mudanças na estrutura ou na química do cérebro podem ter um papel fundamental nas depressões. Acontecimentos como a morte de um ente querido, cuidar de familiares idosos, abusos, e pobreza, podem provocar depressões.
Os factores hormonais únicos das mulheres contribuem, em alguns casos, para a depressão. É um facto que as hormonas afectam directamente a química do cérebro que controla as emoções e o humor.
Também se sabe que as mulheres correm maior risco de depressão em certas alturas da sua vida, como na puberdade, durante e a pós uma gravidez, e durante o período pré menopausa. Algumas mulheres chegam a ter sintomas de depressão antes da altura da menstruação. A depressão após o nascimento de um filho é chamada depressão pós-parto.
As mudanças hormonais podem provocar sintomas de depressão pós-parto
Na gravidez, os níveis de estrogénio e progesterona aumentam consideravelmente. Nas primeiras 24 horas após o parto, os níveis hormonais voltam ao normal. Investigadores crêem que a mudança abrupta de níveis de hormonas pode originar a depressão. Isto assemelha-se um pouco às pequenas mudanças hormonais que precedem o período menstrual e que afectam o humor das mulheres.
Os níveis de hormonas da tiróide também descem depois do parto. A tiróide é uma pequena glândula no pescoço, que ajuda a regular a maneira como o corpo usa e armazena a energia retirada da comida. Baixos níveis de tiróide podem causar sintomas de depressão. Uma simples análise ao sangue pode dizer se é esta a causa dos seus sintomas. Se for, o seu médico poderá receitar-lhe medicamentos para a tiróide. Outros factores podem ser relevantes para a depressão pós-parto.
Poderá sentir:
- cansaço após o parto;
- cansaço pela falta de sono ou sono interrompido;
- dúvidas acerca das capacidades de ser uma boa mãe;
- stress devido à mudança nas rotinas;
- uma necessidade surrealista de ser uma boa mãe;
- perda de identidade;
- falta de tempo livre.
Existem mulheres com maior risco de sofrer de depressão pós-parto?
Certos factores podem aumentar o risco de sofrer depressão pós-parto:
- um historial pessoal de depressões ou outras doenças do foro psicológico;
- um historial familiar de depressão e outras doenças do foro psicológico;
- falta de apoio por parte da família e amigos;
- ansiedade ou sentimentos negativos acerca da gravidez;
- problemas com gravidezes ou partos anteriores;
- problemas económicos ou maritais;
- gravidez na adolescência;
- abuso de substâncias.
Mulheres que sofreram de depressão durante a gravidez têm mais tendência a ter depressão pós-parto. Se toma medicamentos para a depressão, parar de tomá-los ao engravidar pode fazer com que a depressão volte. Não pare de tomar nenhuns medicamentos prescritos sem antes consultar um médico. Não ser medicada pode prejudicá-la a si e ao seu bebé.
Qual é a diferença entre “melancolia pós-parto”, depressão pós-parto e psicose pós-parto?
Várias mulheres sentem uma certa melancolia nos dias a seguir ao parto. Se tiver “melancolia pós-parto” os sintomas poderão ser os seguintes:
- mudança de humor;
- tristeza;
- ansiedade;
- angústia;
- crises de choro;
- perda de apetite;
- distúrbios do sono.
A melancolia pós-parto tende a desaparecer em cerca de uma semana. Os sintomas são ligeiros e não necessita tratamento.
Os sintomas de depressão pós-parto duram mais tempo e têm sintomas mais graves.
A depressão pós-parto pode dar-se dentro do prazo de um ano após o nascimento da criança. Se tiver depressão pós-parto, poderá ter alguns dos sintomas de depressão acima mencionados.
Os sintomas também podem incluir:
- pensamentos relacionados com ferir o bebé;
- pensamentos relacionados com ferir-se a si própria;
- falta de interesse no bebé.
A depressão pós-parto necessita de tratamento. A psicose pós-parto é rara. Ocorre em cerca de uma a quatro mulheres em 1000. É normalmente diagnosticada nas primeiras duas semanas após o parto.
Mulheres com a doença bipolar ou esquizofrenia correm maior risco de sofrer de psicose pós-parto.
Os sintomas poderão incluir:
- visões;
- confusão;
- mudanças bruscas de humor;
- tentativas de ferir o bebé e a própria.
O que devo fazer se tiver sintomas de depressão durante ou após a gravidez?
Contacte o seu médico se:
- a sua melancolia pós-parto não tiver passado após duas semanas;
- os sintomas de depressão se tornarem cada vez mais intensos;
- tiver fortes sentimentos de raiva ou tristeza nos dois meses seguintes ao parto;
- tiver dificuldade em efectuar tarefas ou em cuidar de si e do bebé;
- tiver pensamentos relacionados com magoar o seu bebé ou a si mesma.
O seu médico poderá colocar-lhe algumas questões que o ajudarão a diagnosticar uma possível depressão ou encaminhá-la a um profissional especializado.
Algumas mulheres não falam acerca dos seus sintomas. Sentem-se embaraçadas, envergonhadas, ou culpadas por se sentirem deprimidas quando era suposto sentirem-se felizes. Têm medo de serem vistas como más mães.
Qualquer mulher pode ter uma depressão durante ou após o parto. Isto não quer dizer que seja uma má mãe. Você e o seu bebé não precisam de sofrer.
Existe ajuda. Aqui estão algumas dicas que podem ajudar:
- descanse o mais possível;
- durma enquanto o bebé também está a dormir;
- não tente fazer demasiado ou ser perfeita;
- peça ajuda ao seu companheiro, família ou amigos;
- saía, visite amigos, ou passe algum tempo a sós com o seu companheiro;
- discuta os seus sentimentos, fale com outras mães, junte-se a um grupo de apoio.
Informe-se junto do seu médico acerca dos grupos de apoio existentes na sua área de residência, não faça grandes mudanças na sua vida durante a gravidez ou logo após o parto. As grandes mudanças podem causar stress. Por vezes, grandes mudanças podem ser evitadas. Quando não o poderem ser, tente arranjar ajuda e apoio.
Como é tratada a depressão durante ou após a gravidez?
Os dois tipos mais comuns de tratamento são:
- Terapia pela conversa – falar com um terapeuta, psicólogo, ou assistente social para aprender a mudar os sentimentos e pensamentos que a depressão provoca;
- Terapia medicinal – o seu médico poderá receitar-lhe alguns medicamentos, que irão aliviar os sintomas da depressão.
Se estiver deprimida, a sua depressão poderá afectar o seu bebé. É importante para si e para o seu bebé que procure tratamento. Informe-se com o seu médico acerca da utilização de medicamentos para a depressão durante a gravidez ou a amamentação.
O que pode acontecer se a depressão durante ou após a gravidez não for tratada?
As depressões não tratadas podem prejudicar o seu bebé. Algumas mulheres com depressão têm sérias dificuldades em tratar bem de si e do bebé durante a gravidez. Podem:
- comer mal;
- não ganhar peso suficiente;
- ter problemas em adormecer;
- faltar às consultas;
- não seguir as instruções médicas;
- utilizar substâncias perigosas, como tabaco, álcool ou drogas.
A depressão durante a gravidez pode aumentar o risco de:
- problemas durante a gravidez ou durante o parto;
- ter um bebé com pouco peso;
- nascimento prematuro.
As depressões pós-parto não tratadas podem afectar a sua capacidade de ser uma mãe competente. Pode:
- ter falta de energia;
- ter problemas de concentração;
- sentir-se indisposta;
- não compreender as necessidades do seu bebé.
Como resultado, poderá sentir-se culpada e perder a confiança em si mesma. Estes sentimentos podem piorar a depressão.
Investigadores acreditam que a depressão pós-parto numa mãe pode afectar o bebé.
Pode causar no bebé:
- atrasos na fala;
- problemas com os laços mãe/filho;
- problemas de comportamento;
- choro constante.
Será uma ajuda se o seu companheiro, ou outra pessoa, a puder ajudar a compreender as necessidades do bebé enquanto está deprimida. Todas as mães merecem ser uma mãe saudável. E todas as mães merecem a oportunidade de desfrutar a vida e a sua criança. Se, durante a gravidez ou após o parto, tiver sintomas de depressão, não sofra sozinha. Conte a um amigo ou familiar e contacte o seu médico.