
Donald Woods Winnicott procurou entender como é que é que a criança adquire a noção de corpo, espaço, tempo e de permanência do objecto fundamentais para a organização do seu ego. Winnicott pegando nos trabalhos de René Spitz e de Freud, chamou a atenção para a importância da relação mãe-bebé, sendo através dela que o bebé vai aprendendo as coisas mais elementares sobre o mundo.
A Noção de Corpo
Uma das funções maternais essenciais é a de contenção, não só física, como psicológica. É a mãe que trata do bebé, que lhe dá os cuidados de higiene primários, que lhe dá banho, que cuida dele. O aspecto físico de maior importância é o de segurar no bebé. Ao pegar-lhe a mãe provoca a estimulação da pele do bebé, fazendo com que ele vá gradualmente conhecendo o seu corpo e os seus limites. Por exemplo, ao dar-lhe banho e lavando-lhe as costas e os pés ele toma consciência das suas formas. Ao fazer a contenção de uma necessidade a mãe dá uma resposta adequada.
Caso o bebé não seja pegado convenientemente, ou seja, com firmeza (contenção física) o bebé pode sentir momentos de terror indescritível. Uma mãe suficientemente boa é aquela que é capaz de gratificar e frustrar o seu bebé de tal modo que lhe permita o seu desenvolvimento. Uma mãe capaz de adivinhar todos os desejos do seu filho, mas que, no entanto, não consegue satisfazê-los pode provocar atrasos, nomeadamente ao nível da fala. Por conseguinte, a frustração, quando não exagerada, tem um papel fundamental.
As Noções de Tempo e Espaço
Ao diferir-se a satisfação dos pedidos de alimento, o bebé irá aprender que há um tempo de resposta entre o pedido e a resposta, entre o pedido e a satisfação do desejo. O espaço cria-se quando a mãe passeia com o bebé na rua, em casa.
Esta díade é portanto fundamental para ambos, mas em especial para o bebé. A relação que mantêm permite que o bebé vá criando uma noção própria de self físico e psíquico. A mãe funciona como um ego auxiliar até que a criança consiga desenvolver as suas capacidades inatas, uma construtora activa do seu espaço mental.
A mãe permite a construção de um mundo interno suficientemente integrado, participando numa verdadeira unidade com o seu filho. Donald Woods Winnicott conclui mesmo que os problemas psicológicos se iniciam no vínculo mãe-filho, dependendo da base de estabilidade mental das experiências iniciais com a mãe e do seu estado emocional. Os principais elementos patogénicos na teoria de Winnicott são as falhas ambientais e as suas consequências sob a formação do self. O destino do sujeito ao sair do narcisismo primário só depende do sucesso ou fracasso do ambiente.
O objeto transicional
Um outro conceito importante para Donald Woods Winnicott é o de Objecto Transitivo.
Partindo dos pressupostos de Freud, considerou que os bebés ou as crianças muito pequenas se procuravam consolar com objectos durante a ausência das mães.
Isto significa que as crianças atribuem a determinado objecto uma capacidade de representarem a sua mãe quando esta não está presente e, pela sua detenção, ela consegue acalmar a sua angústia de separação.
O objecto transitivo designa, portanto, todo o objecto ao qual a criança atribui qualidades/características de objecto amor primário. É algo que se mantém pela vida inteira e que serve sobretudo para enfrentar a angústia de separação da mãe. Ex: As crianças têm um peluche que especial que levam para todo o lado – o brinquedo representa a mãe, o amor primário.
Mas o objecto transitivo pode estender-se também para outras áreas. Ex: O espaço transitivo – No decurso de uma terapia psicológica há sempre um regresso ao passado e à situação vivida, que incluem um espaço e lembranças próprias – Revive-se no mesmo local aquilo que experienciamos noutro tempo, noutro lugar atrás.
Relação Dual – O desenvolvimento do bebé é feito pelos dois e não só por uma das partes como se julgava