Heinz Kohut recupera o estudo das relações interpessoais, da auto-estima e das representações do self, considerando central o narcisismo na perspectiva das relações objectais. Notabilizou-se pela concepção do eu do narcisismo.
O narcisismo primário, por Freud, é momento em que a libido investe no próprio sujeito. Neste período não existe ainda relação com o outro porque o indivíduo investindo em si mesmo não investe nos objectos. No entanto, ao investir em si próprio é sinal que está a desenvolver uma noção de ego, tendo, por isso, consciência de si mesmo mas não do outro. Heinz Kohut considera que o narcisismo não é resultado da líbido mas um fenómeno afectivo que é produzido pelo vínculo inter-pessoal.
Tal como Donald Woods Winnicott, considera muito importante o estudo do self, o papel do amor da mãe na integração da criança. As qualidades reais dos pais são da maior importância na génese dos núcleos do self. A segurança interna que eles lhe dão permite o êxito das etapas pré-edípicas e de um desenvolvimento normal.
Dividiu o self em duas estruturas o self grandioso e a imago parental persecutório.
Self grandioso
O self grandioso, que comporta as coisas boas que o indivíduo tem gerado, ama a criança e faz senti-la importante e é na sua internalização que se formam as ambições e aos ideais pessoais. A imago parental persecutória é a imagem arcaica ou o ego com tudo aquilo que tem de mal e, por isso, é o local onde estão armazenadas as más experiências.
Á medida que se inicia a relação objectal e se liga com a realidade esta vai entrando por dentro deste ego narcísico e quanto melhores as experiências, melhor o espaço que o real vai ocupar neste ego primitivo, empurrando as estruturas existentes de forma a ocuparem o menor espaço possível. Esta entrada no real varia de individuo para individuo e, por consequência, a importância do recalcado e do superego vai também ser diferente de pessoa para pessoa.
Imago parental
A entrada no real que se faz pela relação do objecto e, em especial o objecto de amor primário, vai determinar as características do ego adulto. Porque se as experiências forem negativas a imago Parental Persecutória ocupará um grande espaço e o superego irá ter características sádicas para com o ego. Por outro lado, se o Eu Grandioso ocupar muito espaço então a qualidade do recalcado será muito grande e consequentemente as inibições e/ou o afastamento da realidade.
Os restos da Imago parental persecutória vão constituir-se na matriz do superego (fenda vertical), ao passo que os restos do eu grandioso vão constituir a matriz do recalcado, do inconsciente.
Uma boa forma de ver a importância desta concepção do desenvolvimento do ego humano está na patologia. Por um lado, no ego do narcisismo está a doença maniaco-depressiva porque aquela imagem da imago parental persecutória está sempre activa. Por outro lado, o pólo maníaco faz com que a grandeza do individuo (eu grandioso) não tenha limites ou fronteiras. Todas as patologias com distúrbios de personalidade têm a haver com distúrbios nas estruturas primárias.
Foi Heinz Kohut que no plano da “nova” psicologia do ego encerrou a teoria das pulsões (a pulsão de morte não existe) e a teoria do narcisismo patológico. Tanto Winnicott, Mahler e Kohut atribuem aos pais a razão da psicopatologia, acentuando a importância do aspecto ambiental.