
Discuta com o especialista as opções de tratamento para o seu filho ou filha. Existe um grande número de tratamentos para depressão em adolescentes, incluindo terapia pela conversa, terapia familiar, e medicação. A terapia pela conversa poderá ser um bom tratamento inicial para casos leves e moderados de depressão.
Se a depressão não passar depois de algum tempo de terapia, será caso para ponderar o uso de medicação. Contudo, os antidepressivos só devem ser utilizados como parte de um plano de tratamento. Quando é utilizada a medicação, não devem ser descurados os outros modos de tratamento.
Há várias possibilidades, como centros de apoio às famílias, cursos de controlo de comportamentos, etc. A medicação, um vez prescrita, deverá ser controlada e avaliada regularmente. Infelizmente, alguns pais sentem-se tentados a escolher a medicação em detrimento de outros tratamentos, devido à falta de tempo ou a dificuldades monetárias. Contudo, a menos que o adolescente seja considerado como passível de cometer suicídio (neste caso, será necessária medicação e uma constante observação), terá tempo para considerar cuidadosamente as opções antes de tomar uma decisão.
Riscos da utilização de antidepressivos nos adolescentes
Em casos graves de depressão, a medicação poderá ajudar a aliviar os sintomas. Contudo, os antidepressivos não são sempre a melhor opção. Os antidepressivos implicam riscos e efeitos secundários. É importante avaliar os benefícios e riscos antes de iniciar a medicação.
Os antidepressivos e o cérebro dos adolescentes
Os antidepressivos são concebidos e testados em adultos, portanto o seu impacto num cérebro ainda em desenvolvimento não é ainda completamente claro. Alguns investigadores crêem que o uso de medicamentos como Prozac em crianças e adolescentes pode interferir no desenvolvimento normal do cérebro.
O neurocientista Amir Raz, num artigo numa revista, declarou: «O cérebro humano desenvolve-se exponencialmente quando somos novos, e o uso de antidepressivos pode afectar ou influenciar a sua construção, especialmente quando se relaciona com stress, emoções, e controlo destes».
Os antidepressivos, os adolescentes e o suicídio
A medicação para a depressão pode aumentar o risco de tendências suicidas em alguns adolescentes. Todos os antidepressivos têm, obrigatoriamente, de possuir um rótulo de aviso acerca destes efeitos em adolescentes e crianças. Em Maio de 2007, a Administração de Alimentos e Medicação recomendou a expansão do aviso, incluindo jovens adultos dos 18 aos 24. O risco de suicídio é particularmente grande durante os dois primeiros meses de utilização dos medicamentos.
Alguns jovens adultos com doença bipolar, historial familiar de doença bipolar ou historial de tentativas de suicídio, correm ainda maior risco. Os adolescentes que tomam antidepressivos devem ser observados de perto. Os sinais de alarme incluem novos sintomas, ou acentuação dos já presentes, de agitação, irritabilidade, ou raiva.
Mudanças estranhas no comportamento são também sinais. Segundo as normas da FDA, ao começar a tomar um medicamento antidepressivo, ao aquando qualquer mudança de dose, o adolescente deverá ser visto por um médico: uma vez por semana durante as primeiras quatro semanas, de duas em duas semanas durante o mês seguinte, e ao fim de um ano de tratamento.
Apoiar o adolescente durante o tratamento
O mais importante é fazê-lo ver que está disponível para o ouvir e apoiar. Agora, mais do que nunca, o seu adolescente necessita de saber que tem valor, é aceite e querido.
Seja compreensivo
Viver com um adolescente deprimido pode ser difícil e esgotante. Poderá sentir exaustão, rejeição, desespero, agravação, ou outros sentimentos negativos. É importante que se lembre que o seu filho ou filha não está a ser difícil de propósito. Ele está em sofrimento, por isso faça o seu melhor para ser paciente e compreensivo.
Encoraje actividades sociais
O isolamento só agrava depressão, por isso encoraje o adolescente a estar com amigos e a fazer um esforço para socializar. Ofereça-se para o levar e sugira actividades sociais que possam ser do seu interesse, como desportos, clubes, ou aulas extracurriculares.
Mantenha-se envolvido no tratamento
Assegure-se que o adolescente está a seguir as instruções de tratamento e a frequentar a terapia. É especialmente importante que o adolescente siga as instruções de toma dos medicamentos. Contacte o seu médico se os sintomas sofrerem pioras.
Saiba mais sobre a depressão
Assim como o faria com outra doença que o seu filho tivesse, leia e faça pesquisa acerca da depressão. Quanto mais souber, mais bem preparado estará para ajudar o adolescente. Encoraje-o também a aprender algo sobre a depressão. Ler acerca da sua doença poderá ajudar o adolescente a perceber aquilo por que está a passar e de que não está só. A recuperação poderá ser difícil, portanto seja paciente. Celebre pequenas vitórias e prepare-se para eventuais recaídas. Não se julgue nem compare a sua família às outras que conhece. Se está a dar o seu melhor para ajudar o seu filho, está a cumprir o seu dever.
Cuidar da família
Como pai de um adolescente deprimido, poderá ter a tendência para focar toda a sua energia e atenção nele. Entretanto, poderá estar a negligenciar as suas próprias necessidades e as necessidades dos outros membros da família. Ajudar o adolescente deprimido é uma prioridade, mas também é importante manter a sua família forte e saudável durante este tempo difícil.
Cuide de si
Para poder ajudar o adolescente, terá que se manter saudável e positivo, por isso não ignore as suas necessidades. O stress causado por este tipo de situação pode afectar os seus humores e emoções, por isso mantenha o seu bem-estar alimentando-se bem, dormindo o suficiente, e continuando a reservar algum tempo para si próprio.
Procure ajuda
Procure a ajuda emocional que necessita. Fale com amigos, entre para um grupo de apoio, ou consulte o seu próprio terapeuta. Não é errado sentir-se impotente, frustrado, ou zangado. O mais importante acerca de como a depressão do seu filho o está a afectar.
Seja aberto com a sua família
Não ande à volta do assunto numa tentativa de proteger os seus outros filhos. As crianças apercebem-se quando algo está errado. Se não lhes contar, as suas imaginações poderão concluir algo muito pior do que na verdade é. Seja aberto em relação ao que se passa e deixe os seus filhos darem as suas opiniões e fazerem perguntas.
Lembre-se dos irmãos
A depressão de um filho pode causar stress ou ansiedade nos outros membros da família, por isso assegure-se de que as crianças «saudáveis» não são ignoradas. Os irmãos do adolescente deprimido podem precisar de uma atenção especial ou ajuda profissional para lidarem com a situação.
Evite o jogo da culpa
É fácil culpar-se a si mesmo ou a outro membro da família pela depressão do adolescente, mas isto só irá piorar a situação. Além disso, a depressão é normalmente causada por um número de factores por isso é muito pouco provável (excepto em caso de negligencia ou abuso) que o «responsável» seja um familiar.