
Para prevenir quadros irremediáveis é necessário evitar que as doenças ecludam e na doença psíquica a estrutura lesada é em regra o ego. Por consequência, René Spitz foi o primeiro psicanalista que tentou procurar verdadeiramente em que momento se dava a formação desta estrutura e, com efeito, propôs a teoria dos organizadores da mente.
Por volta dos anos 40, René Spitz teve a seu cargo crianças abandonadas ou separadas dos pais em consequência da guerra. Eram crianças pouco estimuladas e apresentavam quadros que suscitaram o alarme para instituições do género – Hospitalismo. As crianças encontravam-se alienadas do meio sem qualquer tipo de atenção e, desde aí se percebeu que a interacção dos adultos com as crianças é um motor necessário para um bom desenvolvimento.
Teoria de René Spitz
A principal premissa da teoria de René Spitz é a de que o sorriso é o primeiro organizador da mente e pode ser distinguido em três tipos diferentes:
Sorriso Intencional – (3º Mês de vida)
O bebé passa a distinguir a pessoa que lhe presta os cuidados primários, que cuida de si, reconhecendo-a dos outros todos. É o momento em que surge o primeiro organizador da mente, já que há um reconhecimento do objecto (neste caso do outro que lhe está mais próximo).
Angústia do 8º Mês ou do Estranho – (8º Mês de vida)
O bebé à medida que vai crescendo vai preferindo estar com a mãe do que com outro adulto qualquer. Mostra a sua predilecção pelo colo materno e o seu desagrado quando é separado dela. Trata-se do segundo organizador da mente – A criança não só distingue entre si e os outros, como também os outros entre si. Reconhece as diferenças entre os demais e rápido se apercebe que o mundo não é só constituído por ele e pela mãe. Uma evidência deste avanço cognitivo é o facto da criança aprender a contar até três e ter a noção do que isso significa.
A Fala – (1 ano) Quando a criança adquire a fala
3º organizador da mente – ela é capaz de dizer sim e não e isso implica que ela queira envolver-se ou não com algo, exprimindo também os seus sentimentos e diferenças em relação aos outros. Para além de distinguir uns dos outros é capaz de se mostrar ao mundo o seu eu.
Este processo clarifica a existência das angústias fundamentais, sendo a 1ª a perda do objecto e a 2ª o medo de perder o amor do objecto. Neste sentido, é no período da angústia do 8º mês ou do estranho (quando o bebé receia a separação) que se instalam as angústias fundamentais. Por consequência é necessário ter particular atenção em não complicar algo que já é traumático e difícil para a criança. A angústia da separação vai decorrer assim dos 8 meses até aos 6/7 anos. Isto em conjunto com as defesas presentes vai permitir-nos encontrar o momento em que surgiu o traumatismo.
Os trabalhos de René Spitz foram particularmente na prevenção. Ele afirmou que a estimulação mental é algo deveras essencial para um crescimento equilibrado. Não obstante, tendo Spitz trabalhado com crianças abandonadas, o 3º e o 8º período (sorriso intencional e angústia do estranho respectivamente) aconteceriam em idades mais baixas em crianças normais, pois essas não são privadas de estimulação.
Balint – Nesta altura, foi para Inglaterra e procurou estudar o período que marca a passagem do narcisismo primário para o narcisismo secundário, o qual pode provocar uma carência.
Ao observar as crianças, Balint concluiu que há duas maneiras da pessoas se relacionar com o objecto e que têm a haver com a necessidade em permanecer próximo ou afastado desse objecto.
Com efeito acabou por distinguir dois tipos de indivíduos:
- Ecnófilos – Designa aqueles que querem estar próximos do objecto
- Filopáticas – Designa as pessoas que pretendem estar afastadas do objecto.
Balint frisou ainda que as coisas que mais custos têm para a saúde são as neuroses de conversão. O sofrimento psíquico é transformado em sofrimento físico e para eliminar a existência de uma lesão que a justifique, ele propôs a formação de equipas médicas para que, em conjunto, fizessem um melhor diagnóstico.